Presentes e academia
Não sei se começo o post pela surpresa que a Yu Haoran (vulgo Ketty) me fez ontem ou se pela surpresa que eu tive quando cheguei na academia. Bom, as coisas fofas primeiro, não é mesmo?
Ontem a aula foi maravilhosa, super dinâmica e a cada dia que passa eu admiro mais a capacidade da professora em nos fazer conversar. Mesmo as pessoas mais tímidas, como todos os chinas e eu (ou seja, a sala toda, exceto a Ana Maria - colombiana) às vezes ficam disputando espaço para um minutinho de prosa e isso nos faz evoluir muito na expressão oral no curso.
O exercício dinâmico de ontem foi a apresentação de uns objetos típicos de onde você veio. A vergonha aqui não levou nada! hehehe Mas mesmo assim foi divertido ver a apresentação dos que haviam levado. Não ficou muito monótono - tudo da China - porque tem uma búlgara e duas francesas que estão fazendo um estágio na nossa sala. Elas estão estudando pra ser professoras de língua e assistem nossas aulas de quinta e sexta-feira.
Na hora que cheguei, uma das meninas, a Yu Haoran, estava com o objeto dela la (era pra todos terem entregado para a professora antes, pra gente não ver qual objeto era de quem). O negócio era invocado e eu fiquei pesquisando o tal objeto, fazendo mil perguntas, dizendo que era muito bonito e etc. E ela me explicando tudinho.
Na hora da apresentação, mesmo sabendo que eu deveria ter pegado um que não soubesse quem havia levado, eu peguei o dela e expliquei que havia escolhido aquele porque era mesmo muito bonito e interessante. O objeto é uma caneta usada antigamente por escritores (e acho que não escritores também) chineses. Ela é feita de bambu e pelo de lobo. O pelo fica fininho na ponta e duro. Só amolece quando você molha - sóóó um tikinzinho - na tinta.


Ela explicou que a caneta era utilizada para, literalmente, se desenhar a letra, de tanto que o traço sai bonito. Hoje não é mais muito usada porque a escrita com ela é muito lenta pela forma como você apoia a caneta, sem colocar o pulso na mesa. Seu braço fica suspenso e você pega no meio do talo de bambu. Mais ou menos como está na foto, só que com o pulso mais firme do que eu fiz aí. Interessante, né?

Mas, e esse laço? Vocês se perguntam, não é mesmo? No final da apresentação ela explicou que o laço não faz parte da caneta. Ele estava lá porque era um presente pelo meu aniversário. Nesse momento todos na sala, inclusive eu, fizeram “aaawnnn”. Só faltou o “para com isso, miguxaa!” Danadinha, ela, não? E lá o laço estava bem mais bonito só que eu estraguei com o ziper da bolsa quando…
… cheguei na academia
Gente, a academia é coisa de outro mundo. De 4º mundo. Acho que de todas as budegas que eu já frequentei nessa vida em busca de saúde e um corpo sarado, esta foi a pior de todas. Mas, como eu sou brasileira, continuarei indo.
A parte mais triste do dia ontem foi a chegada na bendita academia. Mesmo antes de sair de casa pra ir ao curso eu já pensava em como me comunicaria com o instrutor, em como seria a conversa sobre o programa que ele elaboraria para mim e etc.
Lá chegando, antes mesmo de me trocar, subi lá na sala de musculação e fiquei bons 10 minutos parecendo uma doida, olhando através do vidro lá pra ver se encontrava alguém com quem pudesse falar, perguntar se não haveria teste físico e tudo. Passados os 10 minutos resolvi abordar um jovem francês que estava perto da porta, nas prateleiras de guardar as bolsas.
Chegando nele, dei boa tarde (que aqui é bonjour o dia inteiro) e perguntei pelo responsável pela academia. Ele apontou o bureau aonde eu tinha feito a inscrição. Expliquei que já estava inscrita e que só queria falar com alguém lá, pra saber como é o babado e tudo, com um instrutor. Ele fez uma cara de panela e disse “não tem instrutor. É cada um por si”. Eu, claro, comecei a rir e a cara de panela dele aumentou, como se eu estivesse falando a coisa mais absurda do mundo. Como assim um instrutor? Quem precisa de um instutor. Todos já nascemos sabendo praticar musculação, não é mesmo?
Bem, depois de ter que engolir essa decidi que não ia embora no zero a zero, até porque ia ter qe subir uma ladeira desgraçada, que você desce quase rolando, de tão alta que é. Decidi que se ia subir aquela porcaria, não sairia de lá sem exercícios. E, com este pensamento, desci ao vestiário.
Voltei pra academia e fiz tudo com base na minha memória dos exercícios do Brasil. Como é somente uma vez por semana, não tem problema eu explorar todos os grupos musculares. Até que não teve maiores problemas. Fiz tudo com calma, devagar e bem leve, pra não ter muitas dores hoje. E até que deu certo. Estou doída, mas um doída normal. Ah, e quando eu estava no leg 45º me apareceu um João Sem Nome lá perguntando pela minha carteira de estudante, que tem que ser colocada num quadro lá e eu nem me dei conta. Quer dizer que instrutor não tem, né? Mas o fiscal tá lá pra ver quem tá fora das normas. Mereço mesmo…
Bom, vamos ver o que será da aula de fitness segunda-feira. Fitness é vulgo a aula de step que eu fazia quando tinha dinheiro pra malhar na Eugênio. É ótimo para as panturrilhas e no dia da matrícula eu assisti um pouquinho da aula. A professora é benloca e faz umas coreografias bem nada a ver, mas vamos lá. A graça é ficar bem na frente pra atrapalhar todo mundo que está atrás. Afinal, de que servem os estrangeiros no seu país se eles não forem fdp, né?
Aqui estão as fotos da ladeira maravilhosa que vai oxigenar meu cérebro todas as segundas, terças e sextas. E um bônus photo de um carro com o retrovisor maravilhoso. Tá vendo aí, pai? Se o do teu carro cair de novo fica um dica made in França de como consertar um retrovisor.

Ladeira vista de baixo…

Ladeira vista do topo, às 18h40. Aquela montanhazona lá atrás é o Puy-de-Dôme, maior montanha da região e que dá nome ao nosso departamento aqui em Auvergne. Clermont-Ferrand é a capital de Auvergne e fica no departamento Puy-de-Dôme.

No meio da subida da ladeira vi este carro interessante e aproveitei que estava colocando os bofes pra fora para tirar essa fotinha…

… e mais essa, mesmo com a câmera do celular fazendo um barulho desgraçado quando eu clicava pra tirar a foto. kkkk Confesso, fiquei meio envergonhada porque a rua estava muito sem ninguém e umas duas pessoas que passaram se assustaram com a zuada. hahaha Depois coloquei no silencioso.
Adeus post gigante. Beijos em todooos!!! :**