Primeiro contato com o curso II
Desistiu de anotar tudo quando viu a massa humana se deslocando rumo a uma das portas do salão.
- Deve ser a hora da reunião - Pensou.
Todos começaram a se acomodar no auditório - pequeno - da universidade. Primeira constatação: 90% dos alunos são asiáticos. Ela só não sabia ainda de qual nacionalidade, mas muito pareciam chinas. E começa a reunião.
- Bonjour. A reunião de hoje é para explicar a todos o funcionamento do departamento para estrangeiros da universidade e explicar a grade currricular do curso de francês para estrangeiros. Todo mundo entende o que eu falo? - Indagou uma das professoras do curso.
- Oui! - Responderam em uníssono.
- Para a melhor compreensão de todos teremos traduções da apresentação em inglês e… chinês - Reforçou a professora.
Bingo! Ela estava certa. Era tudo china! E a primeira impressão dos novos colegas de classe foi terrível. A ordem da apresentação do conteúdo dos slides era 1) francês, 2) chinês, 3) inglês. Resultado: todos ficaram calado na apresentação de francês, claro, e na de chinês também. Eis que quando acaba a apresentação em chinês, todos os chinas, sem exceção, começam aquele converseiro chato que gera um burburinho igualmente chato no ambiente. Ela, que às vezes não compreendia muito bem o que havia sido dito no francês - além de sofrer de um início de surdez crônica - e vira na tradução em inglês a oportunidade de tirar todas as dúvidas, guardou-as para si.
- Ah, nojentos! - Pensou.
A segunda impressão também não foi muito boa, visto que, apesar de todas as advertências quanto ao toque de celulares durante a apresentação e nas aulas posteriores, vários iPhones tocaram enquanto os professores tentavam se revezar entre francês/chinês/inglês. Era o que ela classificou de sinfonia iPhônica.
- É muito “ês” pra minha mente. Vou abstrair - Resmungou.
A terceira impressão dos chinas foi triste. Sim, eles tem bom humor matinal e sofrem de crises de riso incontroláveis mesmo em situações sem a mínima graça. Foi o último golpe baixo para ela, que já observara a proporção de 18 chinas para 2 ocidentais em praticamente todas as 38 salas do curso de francês para estrangeiros da sua universidade. O jeito agora era torcer para ter somente chinas sabidos e com senso real de humor na sua sala. Esta hipótese foi refutada logo no primeiro dia de aula, como veremos no próximo post.